Há quase 3 anos me tornei mãe.
Naquele dia, no banheiro, com um teste positivo na mão. A vida dava uma virada. O medo que eu nunca tive chegava. As dúvidas já batiam a porta.
Será que eu serei uma boa mãe? Será que está tudo bem com ele?
Vivi minha gravidez intensamente. Curti e comemorei cada semana, cada graminha que ele ganhava na minha barriga. Suportei os meses de enjoo. Aquelas coisas loucas que estavam acontecendo no meu corpo. Planejei. Sonhei. Muito.
Aí ele chegou em uma madrugada chuvosa, saiu e veio direto para os meus braços. Atento. Muito atento. Aqueles olhões me encarando. Me reconhecendo.
“É você mesmo? A cutucadora? A péssima cantora? A mulher que me fez comer pão com chocolate e mortadela?”
Sou eu, filho!
Naquele momento, ali no meu quarto, cachorro latindo, meu marido ao meu lado, eu renasci. Morreu a Irene idealizadora. Nasceu a Irene real. A parte de mim que eu não demonstrava. Que eu guardei só para quando ele chegasse.
Ainda estou aprendendo a conviver com ela. Ela não atende minhas antigas vontades com tanto animo. Ela só pensa em ‘bibitis’ e roupinhas para meninos. O foco dela é o bebê.
Ela não consegue mais abrir minha caixa de esmaltes e pensar em fazer as unhas enquanto assiste uma série de TV.
Será que ano que vem ele vai para a creche ou escola? Bilíngue ou Waldorf?
Ontem gritei com ele. Reinei para não agir com violência. Fui para o quarto com o coração partido. Voltei e o abracei. Ele ficou fazendo carinho em mim.
Ele entende que eu ainda estou aprendendo? Que eu, a maioria das vezes, não tenho a menor noção do que estou fazendo? Que ele é como uma “experiência científica para saber se eu sou boa mãe”? E que isso me aterroriza, porque é como se alguém fosse chegar a qualquer momento e dizer que eu fui reprovada?
Muita coisa não é como eu pensava. Mas a maioria é como eu sempre sonhei.

Irene MasulloDepois de Mãe

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